Evocando a memória de Alberto Carneiro, que os reuniu pela primeira vez num dos simpósios de escultura, iniciados em Santo Tirso no ano de 1991, o escultor português Carlos Barreira e o escultor australiano Peter Rosman celebram 25 anos de amizade apresentando no Museu Internacional de Escultura Contemporânea (MIEC) uma exposição conjunta.

Representados no parque escultórico da cidade com as obras Pedra Bulideira XXII (1993) e Canto (1993), estes escultores privilegiam, respectivamente, conceitos de matéria e movimento, essenciais na sua obra tal como Carlos Barreira evidenciou numa recente retrospectiva, realizada no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, em Chaves, e conceitos construtivistas, centrados no humano e no social, tal como Peter Rosman fez questão de evidenciar, em 2017, na Bienal de Veneza.

Partindo destes conceitos nucleares, Carlos Barreira e Peter Rosman trazem ao MIEC um conjunto de obras, criadas propositadamente para este evento e executadas em diversos materiais, que não só ilustram coerências de percursos e gramáticas escultóricas face a estes mesmos conceitos, como consolidam a imagem de dois criadores singulares, capazes de renovarem constantemente as suas aproximações à escultura.

………………………………………..

Peter Rosman nasceu em Melbourne, Austrália, em 1944. Entre 1963 e 1965 frequentou o bacharelato em arquitetura na Universidade de Melbourne, curso que não terminou. De 1968 a 1969 frequentou a pós-graduação em escultura na St. Martin’s School of Art, em Londres, e em 1973 recebeu o diploma em Artes pelo Preston Institute of Technology, Melbourne. No ano seguinte, em 1974, recebeu ainda o diploma em Educação pelo então State College of Victoria, Melbourne. Desenvolve uma obra multidisciplinar através de instalações que combinam materiais distintos como a pedra, madeira ou metal, ou explorando técnicas como a impressão sobre papel, madeira ou aço em séries de livros de artista que são desenvolvidos ao longo do tempo e que podem ser apresentados isoladamente ou incorporados em novas instalações ou esculturas. Expondo individualmente desde 1976, tem participado em várias exposições coletivas e simpósios de escultura ao ar livre em diferentes países, destacando-se, para além da sua presença no 2º Simpósio Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso, em 1993, a participação no 4º Simpósio Internacional de Escultura, Davos, Suíça, em 2008, e mais recentemente na 18ª Bienal de Cerveira, Portugal, 2015, em 2017, na Bienal de Venez. Desde 2008 desenvolve uma exposição web, “Terminal Artworks”, disponível em www.anywhere.com.au.

 

………………………………………..

Carlos Barreira nasceu em 1945, em Chaves, Portugal, mudando-se para o Porto em 1967. Em 1973 terminou o curso de escultura na Escola de Belas Artes do Porto e entre 1977 e 2009 foi professor na mesma escola. Para além de se dedicar à escultura, trabalha também nas áreas do design e das artes gráficas, desenvolvendo ainda projetos como cenógrafo e figurinista. Entre 1975 e 1976 integrou o Projeto SAAL (Serviço Ambulatório de Apoio Local), assumindo a responsabilidade técnica da brigada do Seixo, em S. Mamede de Infesta. Em 1978 foi cofundador da Bienal de Cerveira, e em 1986 realizou a sua primeira exposição individual, “Carlos Barreira: Escultura”, na Delegação Regional do Norte da SEC (Secretaria de Estado da Cultura), Porto. Combinando materiais diversos, como a pedra, a madeira, o poliéster, o ferro ou o aço, Carlos Barreira cria esculturas com um carácter quase sempre lúdico, dinâmico e aberto, quer ao espaço para onde trabalha, quer por vezes também à própria ação do espetador sobre elas. O artista trabalha frequentemente em séries, que vai abandonando e retomando ao longo do tempo. A série das Bulideiras, com a qual a sua escultura para o 2º Simpósio Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso, em 1993, se relaciona, é uma das séries que mais o tem ocupado: iniciadas em 1984-85, são esculturas realizadas em pedra, com uma parte superior móvel assente sobre uma base retangular, e inseridas na paisagem com as coordenadas em direção à “pedra-mãe”, uma pedra na natureza situada próxima de Chaves. Participa frequentemente em simpósios, oficinas de escultura e bienais de arte, e tem realizado várias obras para espaços públicos. Em 1999 recebeu o grande prémio da Bienal de Cerveira, e em 2009 a galeria da Biblioteca Municipal de Matosinhos apresentou uma retrospetiva da sua obra, “Carlos Barreira: uma questão de matéria”.

Inauguração: 27.09.2019 às 19h30

 

———————

 

ATIVIDADES LÚDICO-PEDAGÓGICAS

Visitas guiadas ao parque escultórico / Visitas orientadas arte-arqueologia-arquitetura

OFICINAS — participação gratuita

Oficina Escolar de Escultura – Serviços Educativos do MIEC. “Magneticamente”
Público-alvo: Pré-escolar ao 2º ciclo | 15 a 20 participantes | 27 setembro 2019 a 19 janeiro 2020

Oficina Escolar de Arqueologia – Serviços Educativos do MMAP. “Riscar e rabiscar”
Público-alvo: Pré-escolar ao 2º ciclo | 15 a 20 participantes | 27 setembro 2019 a 19 janeiro 2020

Oficina Escolar de Natal – Serviços Educativos do CIMP. “Árvore de Natal do MIEC”
Público-alvo: Pré-escolar ao 2º ciclo | 25 a 30 participantes | 27 setembro 2019 a 19 janeiro 2020

————

Oficina Familiar – Serviços Educativos CIMP “Oficina de Outono”
Público-alvo: Famílias | 15 a 20 participantes | 19 outubro 2019

 

 

PETER ROSMAN | CARLOS BARREIRA

27 SET 19 JAN