A JANELA, elemento que frequentemente se repete na parede, é um sistema complexo de regulação que filtra a luz, a paisagem, o clima, o som, a matéria e o corpo. Quando um dos seus componentes é removido, em resposta a uma obsolescência que lhe é atribuída, o funcionamento do sistema é comprometido.
Ao longo da pesquisa sobre JANELA, observámos este movimento: a decomposição do sistema nos seus componentes e a consequente ruptura do vínculo com os parâmetros geométricos, funcionais e simbólicos que o determinaram. Seguimos os percursos de cada um dos componentes (descarte, salvaguarda, armazenamento, manutenção e reutilização) e identificamos aplicações que expandem esses parâmetros: desmontagens e deformações, desvios e reaproveitamentos, ressignificações e revalorizações.
Como provocação, este ensaio de intermédios* contraria o movimento de dispersão que observámos e reconstrói o sistema JANELA numa sequência que ordena, simbolicamente, os seus componentes, do exterior para o interior.
Depois de PORTAS e PRÁTICAS (ensaios publicados em 2025), em JANELA, o formato impresso expande-se numa exposição que dá forma física à pesquisa material. A partir da descoberta progressiva de locais e de componentes descartados, apresentamos representações destes nos seus locais de origem ou armazenamento, elementos dispostos em processo de intervenção, transição e transformação e novas composições.
Associação Nada Novo
* Série de ensaios visuais coletivos, sem ordem pré-definida, dedicada à reutilização de componentes de construção recuperados.