A oitava edição da Residência artístico-pedagógica — Deslocações retorna à origem deste projeto: deslocar os estudantes de escultura da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto para um diálogo com o território de Santo Tirso, tomando a água como leitmotiv. O processo de trabalho levou-os à realização de um trilho entre castros – desde a citânia de Sanfins de Ferreira ao castro do Monte Padrão — seguindo o curso de água do rio Leça. A subjetividade individual de cada estudante desagua agora em Torrente.
Que melhor designação para a emergência de um conjunto de trabalhos que nascem da impetuosidade de quem começa?
A Torrente que agora anima os intervalos da exposição arqueológica do Museu Municipal Abade Pedrosa ambiciona transbordar os “leitos” físicos mas também romper os tempos e os lugares com a violência da vulnerabilidade da criação artística.
Se os tempos são de estagnação ou regressão civilizacional; se as águas paradas parecem turvar a nossa atenção, transformemos o lodo com a vitalidade dos gestos de esperança e sabedoria da juventude: acenos que nascem da arte e dos reencontros urgentes com a natureza e as origens da casa comum.