Nada Novo

Nada Novo

23/Out/2026
- 24/Jan/2027

Na historiografia contemporânea, o termo spolia designa e identifica elementos arquitetónicos ou artísticos retirados de construções antecedentes e reutilizados noutras, documentando uma prática profundamente disseminada desde o mundo clássico. Justificada por razões económicas, práticas, estéticas e também simbólicas, era entendida não simplesmente como reciclagem, in stricto sensu, mas como prática que combinava economia de recursos, adaptação construtiva e transmissão de memória, conferindo aos edifícios autoridade, identidade e prestígio, alicerçados na referência ao passado, conceito que consideramos não só da maior pertinência como de plena atualidade.

Atualmente, a sustentabilidade na construção depende não só da escolha de materiais considerados ecológicos, mas, fundamentalmente, da valorização de todo o ciclo de vida dos diversos componentes, desde a extração das matérias-primas à transformação, transporte, utilização, manutenção e eventual reutilização. Na perspetiva patrimonial, para além de se preservarem características arquitetónicas e técnicas construtivas, garante-se a preservação do conhecimento e contribui-se, decisivamente, para uma necessária e urgente mudança de paradigma.

A exposição “Intermédios. Janela”, num plano filosófico e conceptual, permite abordar questões relacionadas com a noção da transitoriedade da vida, objetivada na noção de “Tempo”, ora formalizadas através das alterações do mundo natural e da condição humana, que dão lugar a uma noção de tempo variável, apenas percetível pela sua qualidade e natureza alegórica –kairos, como também o tempo abstrato vinculado à medição e parametrização da sequência dos momentos –chronos, que introduz uma dimensão artificial na relação do homem e o tempo, transportando-o para uma área de maior complexidade que configura o ritmo sequencial da vida.