Residência artística – Cabra-Cega

EXPOSIÇÃO ATELIER II – ESCULTURA / FBAUP

30/Mai/2026
- 14/Mai/2026

“Cabra-cega” reúne os trabalhos dos estudantes do 3.º ano de Escultura da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, num momento inaugural dos seus percursos artísticos e identitários. A exposição assume o carácter experimental de uma prática ainda em (trans)formação: entre aproximações, desvios, desejos e descobertas surge um território onde a subjetividade se constrói através da matéria, do gesto e da relação com os espaços e os corpos. 

O título recupera o jogo infantil da cabra-cega como metáfora de um processo de procura. Avançar sem total orientação; reconhecer o mundo através da incerteza (não-saber); encontrar conforto no desconhecido; adiar o fim das insignificâncias são frases lapidares que orientam conceptualmente o bastidor de todos os projetos apresentados. Existe, neste contexto, uma dimensão lúdica que não exclui a vulnerabilidade; pelo contrário, é nela que se torna possível experimentar, falhar, repetir e reinventar formas de olhar e de produzir sentido.

“Cabra-cega” resulta da 9.ª residência artístico-pedagógica —Deslocações, uma parceria entre o Museu Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso e a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Ao longo das suas várias edições, tem vindo a aprofundar-se e a saber reinventar-se na repetição, criando oportunidades de deslocamento e descolamento das rotinas institucionais, pedagógicas e criativas de ambas as entidades. Nesse movimento contínuo de saída, encontro e reconfiguração, abrem-se novos espaços de experimentação, partilha e confronto com diferentes contextos de produção artística.

A exposição estabelece ainda um diálogo com o acervo arqueológico do Museu Municipal Abade Pedrosa. Os vestígios e as formas pristinas, também elas deslocadas do seu tempo original, encontram a prática escultórica contemporânea ensaiando, no presente, um espaço de coexistência onde se condensam diferentes modos de relação com a matéria e com a memória. Tal como o artefacto arqueológico, também estas obras surgem como indícios de uma construção identitária em curso, formas que carregam marcas de experimentação, intuição e inscrição no tempo.

Agradeço ao Município de Santo Tirso a confiança, ao Álvaro Moreira e a toda a sua equipa o compromisso e profissionalismo e aos estudantes a prontidão para avançarem na incerteza.